quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Migração



Ontem, voltei a ter contato com tema da migração humana, desta vez dramatizado por uma cubana na peça “No vayas a llorar”. Lembrei que tinha esquecido este fenômeno que ano a ano empurra milhões de pessoas para terras alheias. Talvez porque no Brasil esse tema não seja parte de nosso cotidiano, e a única imagem de imigrante que conseguimos estereotipar foi a do nordestino que vai pro sul e cuja saga se conta em prosa e verso e canções e romances. Lembrei que morei no México, um país, cuja economia depende em boa parte das remessas de dinheiro dos que foram “pa’l norte” para “el otro lado”. Pensei que toda pessoa que conheci no México e a quem tive curiosidade de perguntar se possuíam algum parente nos EEUU, me respondeu positivamente. Pois bem, esse é o holotipo de imigrante, aquele que sai de seu lugar em busca de uma vida melhor. Mas porque o homem migra? Desde quando se migra? Respondo, desde que nossos ancestrais ainda nem falavam, nem conheciam o fogo. Mesmo depois que ficamos sabidos e começamos a matar os nossos irmãos, continuamos migrando, colonizamos o mundo em seus quatro cantos. Ainda assim migramos e nem sempre por sobrevivência, mas por aventura, por amor, por sabedoria por angústia, por perseguição, que mais? Tudo o mais. Qualquer motivo é legítimo para se emigrar, mas os estados nacionais não aceitam qualquer motivo, qualquer estória de amor, qualquer desejo, e persegue os imigrantes. Uma reflexão mais profunda sobre esse fenômeno de massa e generalizado no mundo me diz que é algo sério, que vai mexer com as soberanias como um todo, política, cultural, econômica, etc. O homem vai continuar a se lançar ao mar e ao ar, a saltar muros e grades, a caminhar longas distâncias, porque parece que nossa natureza é migrar. 

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