sexta-feira, 28 de abril de 2006

Hoje chegam Marina e Chico.
Passei o dia limpando a casa, num frenesi maníaco compusivo de arrumação. Desde ontem que não penso em outra coisa. Novamente ter a minha companheira comigo aqui em casa, ter meu filho botando cheiro de nenên na casa. Ah, que delícia! Estive alguns dias no campo, alguns dias sozinho. Sim só, porque ainda que eu tenha minhas companhias por lá, que nunca me deixam sentir-me isolado, eu estava só. E quando estou só me passa algo muito curioso. Começo a descobrir coisas extranhas em mim, que meu ritmo é diferente e meio desordenado quando não tenho a Marina por perto. Mas não é toda vez que isso acontece, já morei só, gosto de ficar só em casa às vezes, e nem sempre tenho essa sensação de que minha vida está...oca. Sim, estou acostumado a ausentar-me de minha casa, de separar-me de Marina a trabalho. E quase sempre é bom, saudável, nos dá saudade um do outro, nos livramos das idiosicrasias um do outro e nos reencontramos e reenamoramos quando nos juntamos de novo. Mas dessa vez eu sinto que busco algo, que arrumo a casa e não está bem, que abro as portas dos armários várias vezes sem aparente motivo, que não consigo me concentrar em coisas muito complexas. Já sei, é saudades das grandes mesmo, da minha mulher e do meu filho.
Vou me embora pro aeroporto buscá-los.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Trela de caçador


Mais um dia de campo ao lado de Raymundo. Figura! Já falei de Raymundo num texto anterior, das suas qualidades de caçador, de sua personalidade de caçador. Pois hoje esse sujeito aprontou uma trela das mais engraçadas. Estávamos num fragmento pequenino, uns 3 ha de área numa época seca de árvores sem folhas, muita escassez de água e comida para a fauna. Separamos-nos a pedido meu para agilizar o trabalho, mas nem precisaria mesmo, Raymundo sempre me deixa pra trás o pra frente no mato, nunca anda ao meu lado, nunca conversa muito a não ser que me veja meio cabisbaixo por uma saudade qualquer.
A floresta estava realmente seca, mudada de cara, de roupa, parecia outra floresta, o sol tropical inclemente das 11:00 am nos castigava cruzando os galhos nus das árvores, pouquíssimos frutos haviam. De repente chega Raymundo ao meu lado depois de ouvir uns gritos meus, lhe chamava para que me ajudasse a encontrar parte dos meus experimentos que se haviam ocultado misteriosamente sob meus olhos enganados pela selva sem roupa.
- Raymundo, deixa-me pegar umas coisas aí na bolsa que levas contigo.-
Ele abre a bolsa e vejo uma coisa como uma galinha depenada dentro
- Que é isso aí dentro Raymundo?-
Era uma Chachalaca, ou Jacu em bom tupy. Uma espécie de galinha selvagem, na verdade um pouco menor mas suficiente para alimentar duas pessoas.
Ele me olhou com uma cara de menino treloso e começou a rir.
-Pensei que não ias reconhecer a Chachalaca depenada-
-Como não Raymundo? Mas como mataste esse bicho?-
O danado não levava seu rifle quando andava comigo. Isso porque eu lhe pedi que não caçasse pelo menos nos lugares onde eu tenho meus experimentos. Então ele me mostra a arma do crime... um bodoque! Um bodoque desses que eu usava lá no Engenho do Meio pra matar pardais e lagartixas. O danado matou esse bicho de uma única pedrada na cabeça e o depenou em menos de 15 minutos (tempo que estivemos separados).
- Eu nem queria Felipe, mas ele se atravessou no meu caminho e como eu trazia o bodoque dei-lhe um tiro. Ele estava pedindo pra morrer.-
Comemos a Chachalaca assada na brasa na sua casa, acompanhada, claro, de umas cervejas bem geladas.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

À Francisco

Francisco, Chico
Filho da poesia da carne, da metáfora da carne
Afinal o amor é poesia, fazer amor é poesia
Amar desmedidamente é verso há muito conhecido.

Mas é mais que verso a carne
A carne é vida que veio da poesia
É a melhor metáfora do verso
É materialização da poesia

Já veio pronto, carne e espírito
Afirmando a unidade do que nunca se dividiu
Carne e espírito, poesia e verso
-Vida plena meu filho-